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27 de dezembro de 2014

Conto: A vida breve das aparências (Parte V)

  Seguiram-se dias fúnebres. O garoto prometeu não virar o rosto para o outro lado da sala, mas em vão. Ela não estava lá. E, no resto da semana, ficou distante, apática. Os colegas notavam. Ela costumava ser tão alegre.

  Chegou o domingo. Plínio terminava de almoçar quando tocou o telefone.

  – Oi, Plínio.

  Ele aguardava essa voz, fantasiava nas palavras que viriam, sabia exatamente o que responder. Mas gelou.

Conto: A vida breve das aparências (Parte IV)

  Na manhã seguinte, aconteceu o que Plínio já esperava. Fabinha não lhe deu atenção, não lhe dirigiu a palavra, fingiu que não o conhecia. Mas sentia o olhar do garoto implacável sobre si, e respondia com soslaios maliciosos. Havia algo de inebriante nesse segredo, e Plínio constatava a veracidade do velho clichê segundo o qual o proibido tem mais sabor.
 
  Os dias foram se passando nessa toada. Pela manhã, mal se conheciam. De tarde, eram cada vez mais íntimos. E essa intimidade surgia em todos os sentidos. Sabiam mais e mais da vida um do outro, conheciam cada gosto e preferência, decodificavam cada gesto. Tocavam-se mais ousadamente. Não se passaram três meses antes de Fabinha entregar-se totalmente ao doce assédio de Plínio. Os amantes, absortos, olhavam-se deitados, acariciando o rosto um do outro.

Conto: A vida breve das aparências (Parte III)

  No dia seguinte, Plínio voltava do recreio quando descobriu sua mesa toda arrumada. O caderno estava perfeitamente alinhado às extremidades, o lápis e a caneta azul acomodavam-se acima, apoiados na borracha, numa horizontal perfeitamente paralela à linha do caderno, e o estojo, na mesma ordeira disposição, estava fechado.

  O garoto, num gesto compulsivo, o abriu, e quis checar o seu conteúdo, para certificar-se de que nada estava faltando. Ao contrário, havia algo a mais ali. Um bilhete cuidadosamente dobrado fez-se sentir nos seus dedos. Abrindo-o, deparou-se com um número de telefone, abaixo do qual se lia, numa letra caprichada em tinta rosa, a frase: “me liga”.

23 de dezembro de 2014

Conto: A vida breve das aparências (Parte II)

  De volta ao colégio, o garoto mal esperava para rever a nova ficante – sua primeira e única ficante. Ele já estava acomodado em sua carteira, e a professora iniciava sua palestra quando Fabinha entrou, sem os óculos. Sentou-se do outro lado da sala e não olhou em sua direção. Ao fim da primeira aula, dirigiu-se, com duas amigas, a um banco que havia do lado de fora, como sempre fazia. Plínio a seguiu.

  – Oi – sorrindo, o garoto tentava disfarçar o nervosismo.

  – Oi – Fabinha respondeu, com um olhar frio, gelado, quase cruel.



Conto: A vida breve das aparências (Parte I)

  Plínio adorava estudar. Tinha quinze anos, era alto, um pouco acima do peso, e usava óculos de lentes grossas. Não possuía a habilidade de se enturmar, perdia-se em grupos grandes e só conseguia conversar com um ou outro camarada.

  Certa vez, uma prima de seu pai ia se casar. A festa seria pouco depois da cerimônia, em um salão simples, mas muito bonito, um dos mais requisitados da cidade. Plínio, na companhia de um de seus primos, foi explorar o lugar, que possuía uma parte semiaberta. A noite de lua cheia estava limpa e fresca. Os dois foram até uma das extremidades, que dava para um longo corredor. Duas garotas vinham na direção contrária.


2 de agosto de 2014

Conto: A Cabana Amaldiçoada

  Olá leitores, como estão? Bem, eu tenho que criar um conto para minha aula de Português, e escolhi o meu gênero (de conto) preferido: o de terror. É a primeira vez que escrevo um, e estou postando aqui porque quero a opinião de vocês a respeito dele :)


A Cabana Amaldiçoada



  Certa tarde duma sexta-feira 13, os pais de Andy resolveram sair para passear no Parque da Cidade. Como o garoto era muito sapeca, saiu correndo na frente e se escondeu dentro do carro, pois queria dar um susto nos pais. Mas o que ele não sabia era que o pais tinham combinado de ir de ônibus, pois no lugar onde iam não tinha estacionamento, e acharam que tinham avisado o menino. Quando estavam indo para o ponto, pensaram que o garoto tinha saído na frente, e estaria esperando no local.

  Enquanto isso, dois indivíduos estavam observando a família sair, e no momento certo entraram na casa para roubar o carro.

31 de julho de 2014

Conto: Carta de um filho


  Bom aqui estou neste lugar frio e escuro por causa da minha vingança
besta. Um cara novo, porém infeliz pelas besteiras que fiz.

  Querida Melina ou mãe, te deixo essa carta para que nunca se esqueça
de mim. Sei lá, é meio estranho falar isso já que você me abandonou, mas enfim
escrevo essa carta para que saiba o que eu senti todo esse tempo...

  Eu cresci já te odiando por ter me abandonado, com o pensamento fixado
em matar mulheres que abortavam ou rejeitaram os filhos. Minha infância foi
sem amigos, ninguém falava comigo, eu também não me importava muito, gostava
de ficar sozinho.

30 de junho de 2014

Conto: Falta de Amor


  Eu li em algum lugar que amor é uma vida, que não acaba, não para, morre. Eu não sei. Vendo as coisas que eu vejo, eu sinceramente não sei mais. Sabe esses casais que não podem ter amigos do sexo oposto, que o outro parceiro enlouquece? Sabe esses casais velhos admitindo que se casaram pela gravidez? Sabe todas as coisas erradas que você já ouviu e teve que dizer ''é isso aí'', ''você está certo'', ''eu faria o mesmo''? Sabe? E eu não vim falar do amor, eu vim falar da falta dele. É disso que ninguém fala, é isso que ninguém tenta definir. Quando você está sozinho e não tem ninguém, nem a droga do seu amigo de infância ou sua mãe do lado, quando você fica calado e está gritando por dentro pra alguém te ouvir, e ninguém te ouve porque ninguém lê pensamentos. É quando eu era adolescente e ficava tão triste e não tinha onde me esconder, e me escondia em mim mesma, debaixo da casca do que eu era, sob o véu do que eu tentava ser, escondida como uma idiota, me sentindo uma pirada, explodindo por dentro, sentindo tantas coisas que eu nem sabia como aguentava, e então alguém reparava e oh, não, está tudo bem sim, eu não dormi direito. É acordar e não saber como se sente, e se levantar da cama com um buraco enorme gritando o que você era e o que você poderia ser, e era tão intenso que seus olhos ficavam vagos e você não entendia sua dor, não entendia o porquê. Por que se levantava tão cedo e por que dirigia um carro tão ruim, e por que não se mudava daquela droga de casa caindo aos pedaços, e por que seu emprego era tão idiota e você chegava em casa e via uma novela e se emocionava, e então você é uma idiota que vê novelas, e você deita na cama, vazia, com um sorriso vazio, ainda sem saber o que sentir e você sabe que é um nada, uma pálida imitação de todos que conhecia, tendo um bloqueio emocional tão forte que bloqueava ser você mesma, se é que você era alguma coisa. E você dormia sem saber como dormir, debaixo de cobertas geladas e uma lágrima congelada no rosto, uma lembrança tola de que, afinal, você ainda sentia alguma coisa, e só por isso, você era agradecida.

Por: Letícia Azevedo

13 de junho de 2014

Conto: Uma Carta


  Eles são todos tão vazios. Acho que não entendem. Não entendem, sentado em suas cadeiras de que valem mais do que a minha casa, observando sua tapeçaria que poderia alimentar uma cidade inteira, não entendem um milhão de coisas. Eu, que sou só uma criança, como minha mãe vive me lembrando, acho que já sei mais que eles. Eles não sabem, entende. Nem sei como deveriam, eu vi onde eles nascem, vi o que eles comem, e é absurdo. Absurdo que eles tenham tanta coisa e a gente nada. Absurdo como eles têm aquele brilho no olhar, vendo todas aquelas armas e bombas, enquanto o brilho no olhar da minha mãe é ver meu pai tocando gaita pra nos distrair da fome. Sabe o que é isso? Apesar disso, eu sou feliz, eu sou feliz porque o sol queima na minha pele. Eu sou feliz porque eu respiro, e porque eu acordo todos os dias numa cama perto dos meus irmãos, e todos eles estão respirando também. Sou feliz porque posso ir pra escola, posso abraçar minha mãe, posso jogar futebol com meu pai. E eles são felizes por guerras, por ver gente morrendo. Por assistir bombas e mais bombas, e fogo e fumaça e gritaria. Como é que alguém consegue ser feliz assim? É isso que eu não entendo, é isso que os tornam tão cheios de nada, tão completamente vazios de humanidade. Tão ignorantes, com suas fardas bem passadas e suas máscaras de calma. Chutando crianças pelas ruas como se não fossem nada. E é isso que me consola a noite, saber que, mesmo que façam isso com a gente, que deixem tudo isso acontecer, eles estão errados. E um dia alguém vai dar um peteleco na cabeça deles e gritar "O que você pensa que tá fazendo?" Como minha mãe faz quando eu me sujo de lama. Por enquanto, só nos resta sentar e rezar para o Deus que nos dizem para acreditar.

26 de maio de 2014

Conto: Sobre A Morte


  A morte não é um assunto complicado. É simples: se foi. Aceite. Será? Será que, quando perdemos alguém, é algo assim tão fácil? Alguns dirão que depende do seu grau de afinidade com o morto, outros dizem que é uma coisa que um dia vai ser superada. Mas a morte, ora, a morte é a juíza mais injusta do mundo. Morre o velhinho que mora na rua de trás… que pena! Morre um policial salvando a vida de uma criança: mas que coisa injusta! E as pessoas rancorosas, aquelas que não ajudam ninguém, que vivem do silêncio, que nunca dirigiram uma boa palavra à uma alma necessitada… essas vão tarde. Depois que o velhinho. Décadas depois do bom policial. E o que essas pessoas, vazias de coração, fazem até lá? Esperam. Por dias, meses, anos. Esperam. Sem nenhum consolo, sem nenhuma explicação. Simples: esperam. E quando chega a hora, nem percebem. Estão tão tomados pelo seu desejo de partir, que não percebem que, na verdade, estão vivendo a morte. E que a morte, na verdade, é a coisa mais viva pelo qual irão passar. E na hora de ir, imploram em seus fracos joelhos enrijecidos. Imploram para alguém que não conhecem, imploram algo que não sabem o que é. Esses pobres seres sentem a liberdade esvaindo, sentem tudo que foi perdido, sentem que não fizeram o que deveriam ter feito. Ou pior: não fizeram o que queriam fazer. E lembram-se que no seu velório terão pessoas chorando pela sua morte, e o seu último pensamento é que deveriam chorar pela sua vida.


Conto: O Amor É Isso

  Nunca vou poder explicar exatamente como aconteceu, ou exatamente quando a minha vida se tornou um inferno. Eu não me lembro. Só sei que eu fui feliz, muito feliz, e depois… não. Desde então várias pessoas entraram na minha vida e todas elas tiveram algum papel importante, sendo bom ou ruim. Havia aquelas que me elogiavam e aquelas que não gostavam de mim, e eu lidava com cada uma delas. Dentre todas essas pessoas, você foi o único que me fez sentir alguma coisa, que me fez acreditar que eu era de fato uma boa pessoa. Eu não sei porque, já que você sempre agiu de maneira tão simples e honesta. Talvez tenha sido exatamente isso, não sei dizer. O que me pegou de surpresa foi me ver tão envolvida com alguém. De repente, eu que vivia me lamentando por tudo, agradecia por falar com você só por uma hora do meu dia. Eu que vivia cheia de coisas pra me preocupar, só pensava em você, só me preocupava com você, só queria você. Nenhum abraço me confortava, nenhum riso me alegrava, ninguém foi o suficiente. Nem livros, nem música, nem filmes me distraíam de você. Você se tornou o centro do meu mundo e me fez feliz, da maneira que eu achava impossível que alguém conseguisse ser. Eu nunca sei exatamente de nada. Sempre tô confusa ou indecisa. Minha vida sempre foi uma bagunça, e quando não era ela, era eu. Mas você é a primeira coisa que eu tenho certeza absoluta. É por isso que dói tanto. Eu preciso de você de uma maneira absurda, irracional. Preciso de você em todos os sentidos, de qualquer maneira. Eu tento fazer qualquer outra coisa, tirar você da minha mente só por um segundo, mas não adianta. Eu só tô fazendo esse texto porque eu não consigo escrever sobre mais nada, sempre que eu tento meu coração fala por mim. E nele só tem você.
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