O Sessão Cinema Forever, cumprindo isso, trás hoje resenha sobre uma animação muito linda produzida pela DreamWorks (Kung Fu Panda e Madagascar) lançada em 2012. Trata-se de A Origem dos Guardiões, uma das animações que mais me conquistaram dentre uma infinidade que eu já tive oportunidade de assistir.

O grande problema de Jack Frost é o fato dele ser desconhecido. Os pais das crianças do mundo todo pararam de contar suas histórias, e elas não sabem da sua existência e, portanto, ele é invisível. Isso faz do Jack um adolescente triste e sozinho, por mais que ele se esforce para não deixar transparecer.

Esse grupo é formado pelos guardiões:
*Papai Noel – aparentemente o líder do grupo e chamado de Norte. É um cossaco russo que usa duas espadas quando a luta é necessária, é exigente e impulsivo. Tem um exército de criaturas peludas que lembram o abominável homem das neves e mora no polo norte onde tem uma base secreta para controle e observação das crianças no mundo todo.
*Coelho da Páscoa – chamado de Coelhão, guarda consigo um bumerangue, consegue viajar através de buracos no chão e mora numa toca onde administra todos os ovos de páscoa. Tem uma rivalidade antiga com o Jack Frost e um temperamento ligeiramente explosivo, principalmente quando alguém tenta diminuir o valor da páscoa.
*Fada dos Dentes – metade fada, metade colibri, ela controla uma revoada inteira de fadinhas-colibris responsáveis pela coleta dos dentes que caem das crianças e pela troca por moedas e presentes. Em seu reino existe um depósito onde guarda todos os dentes perdidos das pessoas e com eles as memórias mais importantes da infância.
*Sandman – no Brasil e em Portugal é conhecido como João Pestana, entidade que administra e arquiteta todos os sonhos, o sono e as boas sensações enquanto se dorme. Ele é mudo e se comunica com imagens de areia projetadas em sua cabeça.
A sacada legal é uma analogia maravilhosa presente na história do Breu. Ele, assim como o Jack Frost, passou a perder forças e caiu no esquecimento porque as crianças foram educadas e ensinadas a não terem mais medo, o bicho-papão tornou-se mera lenda e isso causa um descontentamento no vilão a ponto de impulsioná-lo a querer destruir os guardiões.
Mas cadê a sacada legal? O Breu já foi poderosíssimo, numa época muito distante. Em certa cena ele afirma que sua época de ouro foi durante a Idade das Trevas, onde as pessoas viviam com medo e apavoradas, onde tudo era condenado e gerava amedrontamento e assim o Breu poderia existir firme e forte. Até que os guardiões foram recrutados pelo Homem na Lua e assim as pessoas, e principalmente crianças, de todos os lugares puderam dar e ter significado as suas alegrias e inocências em comemorações como Páscoa e Natal, antes com contexto e ideologias totalmente destorcidas.
Pra quem entende um pouco de história, a analogia cai super bem.
Ênfase para uma criança extremamente importante no desenrolar do filme. Jamie, que conseguiu enxergar os guardiões em tempos difíceis e em que outras crianças não tinham ousadia de fazê-lo. Ele acaba tendo papéis que definem o rumo da história por completo. Jamie e Jack criam um laço único e afetuoso muito fofo e notável.
A Origem dos Guardiões convence muito bem em suas cenas de ação, em sua visão de mundo e na desconstrução maravilhosa que foi capaz de fazer com o mundo das lendas infantis. Créditos para o escritor William Joyce, que produziu a obra responsável pela base da narrativa da animação e da qual ela se faz adaptação.
Mas, mesmo amando essa animação, vamos para as verdades. A Origem dos Guardiões tem um enredo que não é bem fechado e apresenta alguns furos e respostas em aberto. Nada, porém, que realmente comprometa o entendimento e a mensagem do filme no geral, e não tenho certeza que o fato de ser um filme voltado principalmente para o público infantil serve de argumento e justificativa. Se comparada com outras animações de concorrentes, A Origem dos Guardiões não chega a ser emocionante como Wall-E (Pixar), nem divertida e engraçada como Madagascar (DreamWorks) muito menos com muita ação e adrenalina como Os Incríveis (Pixar).
Contudo, isso não implica que A Origem dos Guardiões seja ruim ou decepcionante, afinal o filme recebeu indicações ao Globo de Ouro, e caso isso não tenha ficado muito claro na sua cabeça sugiro reler esse post.
E para mim, o melhor do filme é sem dúvida alguma o próprio Jack Frost, um protagonista bem construído, com personalidade e dotado de uma história interessante e atrativa.
Jack Frost <3
Leitores Forever indica essa beleza de animação para todas as idades.

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