Olá leitores, como estão?
Desculpem-me novamente pelo sumiço, mas agora vou deixar um monte de posts salvos no rascunho para postar semanalmente para vocês, prometo hehe
E para hoje, eu quis fazer algo diferenciado de tudo que postamos aqui no Blog. Recentemente, eu tive que ler o clássico nacional Dom Casmurro para a escola, pois minha professora iria dar um trabalho sobre. Na verdade, nós iríamos apresentar meio que um teatro, sendo que o mesmo seria um julgamento para decidir se a Capitu, personagem do livro, traiu mesmo ou não traiu Bentinho, seu marido. Iria ter os personagens que mais fizeram parte da trama (tivemos que dispensar alguns, como a tia do Bentinho, já que não havia pessoas na minha sala o suficiente para encenar todos os personagens), além de um juiz, dois advogados de defesa e dois promotores (advogados de acusação). Seria como um julgamento de verdade: os advogados deveriam fazer perguntas para os outros personagens (no caso, testemunhas), e também para a Capitu (réu) e para o Bentinho, além de fazer todo um sermão, para convencer o júri, que no caso seria composto por algumas pessoas que estivessem assistindo o teatro, da inocência ou da culpa de Capitu. Eu no caso seria uma advogada de defesa. Eu e minha amiga, que também teria o mesmo papel que eu, além das duas outras promotoras tivemos que fazer um trabalho contendo todos os argumentos que usaríamos no dia do julgamento.
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| Essa é a edição que eu li, uma das mais completas (eu acho): 248 páginas. |
Sinopse: Dom Casmurro - Bentinho, o narrador do romance, apaixona-se pela vizinha
Capitu ainda criança. Ao se tornar adulto, consegue escapar do
seminário ao qual estava destinado pela mãe e se casa com a bela moça.
Quando morre seu mais fiel amigo, Escobar, ele observa a esposa e passa a
acreditar que ela amava o morto. Obcecado, Bentinho começa a reunir
indícios da traição da mulher, colocando o casamento em crise. Ao
leitor, resta a dúvida: Capitu traiu ou não o marido?
Antes de colocar os argumentos, gostaria só de colocar alguns pontos sobre o enredo do livro em si, tirando a traição. Bom, todos sabem (ou pelo menos a maioria) que o livro é famoso devido a essa dúvida que o Machado de Assis deixa, ou seja, se a Capitu traiu ou não. Antes eu queria que ele tivesse, de alguma forma, deixado um manuscrito revelando a verdade, mas depois eu entendi: essa é a graça do livro. O autor ter deixado o próprio leitor formar sua própria opinião e decidir se a mulher cometeu esse crime (na época em que o livro foi escrito, adultério era um crime) ou não. Ao longo dos anos, Dom Casmurro tem sido o foco de muitos debates acerca do grande mistério que trás, e tem caído em vários vestibulares em todo o país.
Além disso, como o livro foi escrito em 1800 e pouco, a linguagem é um pouco difícil. Isso faz com que muita gente desista no primeiro capítulo que lê, mas não se preocupe: eu tenho 14 anos, li o livro e, mesmo não tendo entendido 100% da linguagem, consegui captar boa parte da história.
E uma última coisa: eu não considero o enredo da história interessante, nem nada disso, e acho que quase todo mundo também não. O que desperta o interesse nessa obra é o enigma da traição que o autor deixou. Desde antes de eu ler o livro tinha certeza que Capitu era inocente, já que eu já havia lido um tempo atrás a releitura Dona Casmurra e Seu Tigrão (resenha aqui), e como eu tinha que encontrar argumentos para defender a mulher, o livro se tornou um desafio para mim, uma questão de honra heuehe Vencer esse desafio foi o que despertou meu interesse.
Agora sim, vamos para os argumentos (lembrando que os mesmos contém muitos spoilers):
Página 126. Parágrafo 3. Trecho: “Outra idéia, não, - um sentimento cruel e
desconhecido, o puro ciúme, leitor
das minhas entranhas. Tal foi o que me
mordeu, ao repetir comigo as palavras de José Dias: ‘Algum peralta da
vizinhança’. [...] Agora lembrava-me que alguns olhavam para Capitu-, e tão senhor me sentia dela que era como
se olhassem para mim, um simples dever de admiração e inveja.” – Nesse
trecho temos uma declaração do próprio Bentinho dizendo que ele teve ciúmes de
Capitu só porque José Dias tinha dito a ele que ela andava feliz e podemos
observar que ele era um cara possessivo, pois ele diz que se sentia senhor
dela, sendo que eles nem eram oficialmente namorados.
Página 134. Parágrafo 1. Trecho: “Ia só andando, aceitando o pior, como um
gesto do destino, como uma necessidade da obra humana, e foi então que a Esperança, para combater o Terror, me
segredou ao coração, não estas palavras, pois nada articulou parecido com
palavras, mas uma idéia que poderia ser traduzida por elas: ‘Mamãe defunta, acaba o seminário.’ “
– Neste trecho podemos perceber que a noção de esperança de Bentinho de não ir
para o seminário é se a mãe dele morrer. Até antes dessa parte temos a
impressão de que o mesmo é super apegado à mãe e que faria de tudo por ela, mas
com essa frase em destaque essa impressão muda completamente.
Página 145. Parágrafo 2. Trecho: “A
vontade que me dava era cravar-lhe as unhas no pescoço, enterrá-las bem, até
ver-lhe sair vida com o sangue...” – Neste trecho podemos perceber a possessividade
e ciúmes doentio de Bentinho, que queria matar Capitu só porque ela tinha
olhada para um cowboy.
Página 156. Parágrafo 4 e 5. Trecho: “Quis responder que não, que não queria ver Manduca, e fiz até um
gesto para fugir. [...] Não culpo o homem; para ele, a coisa mais importante do
momento era o filho. Mas também não me culpem a mim; para mim, a coisa mais importante era Capitu.
[...] Se eu passasse antes ou depois, ou se
o Manduca esperasse algumas horas para morrer [...] Toda hora é apropriada para o óbito; [...]” – Neste trecho,
podemos perceber que Bentinho não está nem um pouco preocupado com os
sentimentos do pai de Manduca, e que só pensa em Capitu. Ele vive para ela.
Podemos encaixá-lo no comportamento de um sociopata.
Página 186. Parágrafo 1. Trecho: “[...] Venho
explicar-te que tive tais ciúmes pelo que podia estar na cabeça de minha mulher,
não fora ou acima dela.” – Neste trecho, podemos perceber que Bentinho tem
ciúmes simplesmente dos pensamentos da mulher.
Página 208. Parágrafo 5. Trecho: “No meio dela, Capitu olho alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não
admira lhe saltassem algumas lágrimas
poucas e caladas...” – Neste trecho, podemos perceber a obsessão de
Bentinho por Capitu. Aqui podemos relembrar que a mulher também era amiga do
falecido, e o chorar em seu enterro não faz dela sua amante.
Página 217. Parágrafo 2. Trecho: “Quando nem mãe nem filho estavam comigo o
meu desespero era grande, e eu jurava
matá-los a ambos, ora de golpe, ora devagar, para dividir pelo tempo da
morte todos os minutos da vida embaçada e agoniada.” – Neste trecho,
podemos perceber como Bentinho era sanguinário, como tinha o comportamento de
um verdadeiro psicopata.
Página 224. Parágrafo 1. Trecho: “[...] o meu segundo impulso foi criminoso. Inclinei-me e perguntei Ezequiel se já tomara café.” - Neste trecho, podemos destacar que Bentinho
era impulsivo, uma das características de um sociopata, pois ele oferece e
insiste que seu filho tome o café envenenado. Mesmo se ele não fosse seu filho,
não justificaria essa tentativa de homicídio covarde.
Alguns sintomas de ciúme doentio:
A pessoa é a única razão de viver dele(a). Trecho: “Vivia tão nela, dela e para ela, que a intervenção de um peralta era como uma noção sem realidade.”
É melhor morrer do que viver sem você. Não temos isso porque, quando Bentinho fica sabendo que Capitu morreu, ele nem ligou: “A mãe -, creio que ainda não disse que estava morta e enterrada. Estava; lá repousa na velha Suíça. Acabei de vestir-me...”
A pessoa é frequentemente visto e citado como “propriedade” (você é meu / você é minha) e o “amor” é apenas uma forma de justificar isso. Trecho: “[...] e tão senhor me sentia dela...”
O ciumento exagerado é tão sociável quanto antissocial. Tudo depende do que irá lhe trazer mais segurança [...]poderá fazer uso de um comportamento antissocial apenas parar lhe afastar de situações (pessoas) que representam ameaça para ele(a). Bentinho diz no começo do livro que não tinha amigos e que só se relacionava com seus familiares e Capitu; só depois que faz amizade com Escobar.
O que é um Sociopata:
Sociopata é uma palavra usada para descrever uma pessoa que sofre de sociopatia, uma psicopatologia que provoca um comportamento impulsivo, hostil e antissocial.
A sociopatia é classificada como um transtorno de personalidade que é caracterizado por um egocentrismo exacerbado, que leva a uma desconsideração em relação aos sentimentos e opiniões dos outros.
Um sociopata não tem apego aos valores morais e é capaz de simular sentimentos, para conseguir manipular outras pessoas. Além disso, a sua incapacidade de controlar as suas emoções negativas torna muito difícil estabelecer um relacionamento estável com outras pessoas.
Lembrando que o livro é contado sob o ponto de vista de Bentinho, ou seja, não podemos ter certeza de que a história aconteceu do jeito que foi contada. Temos situações em que ele pode ter usado o escrito para esconder a verdadeira narrativa, como a possibilidade dele ser gay e apaixonado por Escobar ou de ele ter traído Capitu, já que temos um trecho em que ele troca olhares com Sancha e tudo mais. Como o sociopata tem a capacidade da manipular as pessoas, Bentinho pode ter feito o mesmo e ter tentado jogar a culpa na esposa.

E aí gente, quem aqui já leu Dom Casmurro, ou alguma releitura? Vocês acham que Capitu é inocente ou culpada? Comente aqui em baixo :D
Até a próxima leitores <3


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