Vou logo avisando que a série de hoje é fantástica foda.
Fargo carrega tanto drama, matança e reflexão que me perturba até hoje.
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| O clima de inverno está sempre presente na série. Ah, reparem no homem com a arma apontada para o sujeito deitado - dá pra perceber que assassinatos rondam Fargo. |
Bom, eu dei uma pesquisada sobre a série e descobri que,
originalmente, Fargo era um filme de 1996, sendo que a crítica diz que é genial,
mas não posso dar minha opinião porque não assisti; no entanto, ainda o farei.
Pesquisar sobre a série foi mesmo muito bom, pois eu já estava prestes a dar
informações equivocadas, como dizer que a história é baseada em fatos reais.
Isso porque logo no começo de cada episódio há uma introdução falando que os
fatos retratados são verídicos e apenas os nomes foram trocados em respeito aos
mortos. MORTOS? Sim, há muitos mortos. A questão é que a série não é
baseada na realidade, essa foi apenas mais uma forma de impactar o
telespectador desavisado.
Ué, mas e sobre o quê exatamente é essa serie? (Vou falar
bastante sobre o enredo, pois poucos devem conhecê-lo e sou eu que mando
aqui).
Imagine um sujeito que sofreu bullying a vida toda e que é
subestimado ao extremo. Esse é Lester Nygaard, brilhantemente interpretado por
Martin Freeman – sim, ele é o John Watson da série Sherlock e foi por causa
dele que conheci Fargo. Lá está ele, na casa dos quarenta anos, caminhando na
rua até que encontra um velho amigo, ou
melhor, o cara que batia nele quando jovem. Mais uma vez Lester é humilhado e
leva um soco na cara. E o que ele faz? NADA. Mas quando vai ao hospital tratar
do ferimento, um outro cara, que descobrimos se chamar Lorne Malvo, puxa papo
com ele. De repente a conversa pega o rumo da causa do nariz machucado e Lester
confessa que apanhou daquele Sam Hess, seu algoz. Malvo então se oferece para dar cabo da vida de Hess. Lester, um
tanto bobo, fica de cara com a sugestão e não diz nem sim nem não. E sabem o
que acontece? Sam é morto (enquanto está transando com uma prostituta, só para
constar).
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| Martin Freeman mostra seu talento interpretando o imbecil psicopata Lester Nygaard. Mas confessem, ele está super fofo com esse casaco! |
Enquanto discutia com sua mulher, que o criticava por ser tão
idiota, ele comete uma besteira: mata a
mulher a marteladas! Daquela vez eu ainda dei um desconto ao imbecil porque
ele estava sob pressão e acredito que só fez aquilo no calor do momento, sem
a real intenção de cometer o assassinato. Desesperado, liga para esse Lorne
Malvo pedindo ajuda para se livrar do corpo no porão. Enquanto isso, um
policial – prestes a ser pai, diga-se de passagem – se dirige à casa dos
Nygaard para interrogar Lester sobre a morte daquele primeiro cara, Sam Hess. Ao
chegar lá, Lester está todo esquisito e perturbado, se atrapalhando todo. Isso
causa desconfiança no policial, que acaba encontrando o corpo da esposa morta
de Lester. Temos então a entrada triunfal do matador Lorne Malvo. Coitadinho do
policial, nem chegou a conhecer seu bebê... Como mais policiais estão a
caminho, Malvo foge e Lester se atira contra a parede do porão para fazer de
conta de que é só mais uma vítima. Eita, você está ficando espertinho, hein,
Lester.
Leve em consideração que esse é o enredo só do primeiro
episódio, que já foi tremendamente espetacular, contando com atuações
impecáveis, fotografia, direção e tudo mais sem deixar a desejar em nada. Ah, e
o roteiro! Que oportunidade maravilhosa de admirar um roteiro bem feito e
criativo, que reúne sarcasmo e parábolas com maestria. Bom demais!
A partir daí a série destaca outros personagens incríveis,
como a policial Molly e o também policial Gus. Eles formam um casal comum muito
simpático para o público. Molly se dedica a estudar o assassinato na casa dos
Nygaard, chegando a conclusões que poderiam incriminar Lester, ao passo que o
resto dos policiais o considera inocente e não dá crédito às ideias
conspiratórias de Molly. Com o decorrer dos episódios e mais mortes, agora em
outros cenários frequentados pelo demônio do Lorne Malvo, eu já estava rezando
para os dois não morrerem de tanto que gostei deles.
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| Molly, Gus e sua filha |
Por onde passava, Malvo trazia morte, mas é inegável que ele
tem estilo. Isso foi ainda mais intensificado pela forma como a direção
conduzia as cenas, destacando detalhes e focando na observação indireta dos
acontecimentos – como é o caso de um massacre no oitavo episódio, que é todo
gravado através da movimentação das câmeras por fora do prédio. Essa emoção à
flor da pele me lembrou a trilogia O Poderoso Chefão.
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| O ator Billy Bob Thonton estava fantástico como o cruel assassino Lorne Malvo |
Já falei muito, mas gostaria de frisar o motivo para tamanha
perturbação que senti. Inicialmente, considerei Lester um simples imbecil que
estava no lugar errado, na hora errada e com a companhia errada. Acho que ele
não queria ser o monstro calculista em que se tornou no final da série; apenas
pequenas decisões erradas o levaram a sustentar sua mentira. Foi tudo uma bola
de neve, à semelhança do cenário congelado da cidade. E aí eu me pergunto: será
que nós mesmos não corremos o risco de fazer uma besteira inconsequente? Será
que não precisamos tomar mais cuidado com nossos atos e com a forma que lidamos
com a pressão do cotidiano? Elementar, meu caro Watson. Precisamos estar sempre
alertas para não nos tornarmos um Lester da vida. E é perturbador pensar nisso,
pelo menos para mim.
O que acharam da resenha? Foi bem longa, não? Mas eu
precisava falar... Ah, não deixe de me contar o que você achou de todo esse
drama e sangue.
#ahbemsério, por SHE





Ah eu assisti Fargo mês passado, apaixonei no primeiro episódio *-* mas não conhecia ninguém que gostava também.
ResponderExcluirAdorei a resenha <3 <3 e não se importe com o tamanho não... quanto maior mais detalhado é!
Muito obrigada! Também conheço poucas pessoas que gostam da série. É uma pena, já que ela está tão boa! Obrigada pelo comentário!
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