13 de agosto de 2014

Resenha do livro: O Menino do Pijama Listrado


Logo de cara já temos uma situação totalmente diferente do que se imagina e com significado diferente, onde há duas realidades contrapostas. De um lado, os anos 40, em plena Guerra Mundial, na Alemanha; e do outro, um inocente garoto perdido em seu mundo inocente, onde não há qualquer compreensão do que realmente acontece a sua volta, e quando ela quase aparece é barrada por um sentimento: ele ama muito o pai, que é comandante militar do exército nazista, e esse sentimento o incapacita de pensar que algo ruim possa vir do pai ou de seu trabalho. E tudo o que acontece no livro leva a essa contraposição.

O livro narrará a história de Bruno, que tem nove anos e, por ser filho de militar, é obrigado a mudar-se com a família para um campo de concentração na Polônia, onde fica protegido do contato com judeus por meio de uma cerca, a algumas centenas de metros da nova casa. Entre revelar a realidade em que ele se encontra e sobre a guerra nazista ou não, os pais escolhem mantê-lo preso em sua inocência, mesmo que o local seja perigoso até para eles, o que acaba custando muito caro.

Nos primeiros capítulos, é contada a relação de Bruno com o mundo a sua volta, desde os empregados da casa, a própria família, os três amigos de Berlim, a nova casa na Polônia, e até mesmo o quase-nada que ele sabe sobre o momento social histórico da Europa naqueles tempos.

Mas a já citada contraposição torna-se bem mais clara quando Bruno começa a explorar a área em busca de algo para distrair-se, já que a nova casa não oferecia nada disso, e encontra, observando as coisas do outro lado da cerca, o menino judeu Shmuel, também pouco conhecedor da realidade sócio-histórica daquele momento, mas conhecedor o suficiente para reconhecer suas diferenças com os alemães nazistas e odiá-los.

Mesmo assim, tornam-se melhores amigos, o que só é possível graças à inocência onde ambos estão presos. Chega um momento em que o pai de Shmuel é levado embora e Bruno promete ajudar a procurá-lo. Para isso, Shmuel rouba um dos pijamas listrados para que ele se disfarce de judeu e atravesse a cerca. Esse é o inicio do fim que o livro leva. É um livro absurdamente triste. 

Segue um poema meu inspirado no livro, em particular, nos últimos capítulos. É possível haver spoiler:

Pesadelo Listrado

Num dia de chuva,
(Um dia de chuva!),
E de solidão,
(E de solidão!),
O vento cheira a
(Sangue, morte e dor!),
Pesadelo Listrado!
(Pesadelo Listrado!)

Num dia de chuva,
(Um dia de chuva!),
No inferno Nazi,
(No inferno Nazi!),
Quase não consigo
(Respirar!)
Pesadelo Listrado!
(Pesadelo Listrado!)

Quando a morte aparece disfarçada de respiração profunda e escuridão e a falsa sensação de que tudo está bem e nada há mais a se fazer senão esperar pelo que virá. Nunca vi novamente as pessoas que passaram por isso mas com certeza não deve demorar.
(Quando a morte aparece disfarçada de respiração profunda e escuridão e a falsa sensação de que tudo está bem e nada há mais a se fazer senão esperar pelo que virá. Nunca vi novamente as pessoas que passaram por isso mas com certeza não deve terminar!)

Num dia de chuva,
(Um dia de chuva!),
E de solidão,
(E de solidão!),
O vento cheira a
(Sangue, morte e dor!),
Pesadelo Listrado!
(Pesadelo Listrado!)

Num dia de chuva,
(Um dia de chuva!),
No inferno Nazi,
(No inferno Nazi!),
Quase não consigo
(Respirar!)
Pesadelo Listrado!
(Pesadelo Listrado!)
(Pesadelo Listrado!)
(Pesadelo Lis...)

*Os versos repetidos se dão porque em algumas câmaras de gás há um leve eco. 
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Maciel T. é um futuro professor (está cursando Pedagogia na Unesp em seu terceiro ano), e é autor do livro Rewrite – A história de Kenny e Bee (para ver a resenha, clique aqui), dono do blog “Cinco Listas”, colunista ocasional do “Leitores Forever” e do “Literatura – Um Mundo para Poucos”. Gosta de chicletes, tigres e comida! Menos azeitonas! Azeitonas o irritam e ele nem sabe direito o porquê! rsrsrs

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