É nesse pano de fundo que Noah Gordon começa a narrar O Último Judeu. A história começa com o estupro e a morte do pequeno judeu Méir Toledano, filho do ourives Helkias e irmão do personagem principal da história, Yonah. A morte ocorreu em 1489, ano em que a Inquisição já estava em processo. Podemos imaginar, portanto, que a causa da morte seja o fato de o pequeno Méir ser judeu. Vale dizer que nessa época, muitos não cristãos se batizaram para fugir da Inquisição e eram chamados de cristãos-novos. O que acontecia, porém é que às vezes até eles eram inquiridos, seja por desconfiança da Igreja Católica ou porque eles ainda semeavam o culto de suas antigas religiões.
Depois da morte de seu filho, Helkias entende que deveria fugir de Toledo, fugir da Espanha com Yonah e seu irmão Aron. Em 1492, com a Inquisição já na cola deles e mesmo com pouco dinheiro, eles decidem fugir. No entanto, um dia antes da data marcada, os Inquisidores invadem a casa de Helkias Toledano.
O pai consegue, através de sua morte, salvar seu filho Yonah. Até aquele momento, o menino já tinha perdido a mãe e um irmão. Imaginem como seria perder também um pai com 13 anos de idade. Imaginem agora ser um judeu e se ver sozinho em um mundo de perigo. O que aconteceu depois da invasão de sua casa foi que Yonah, depois de ir à casa de seu tio e ver que ele estava se tornando um cristão-novo, resolveu fugir, permanecendo um fiel judeu.
É a partir daí que uma nova história começa, uma epopeia de um jovem de 13 anos que percorre toda a Espanha, fugindo da Inquisição, mantendo o Judaísmo em seu coração e vivendo sua própria vida, longe da família. Esse é mais um livro do Noah Gordon em que história, religião, romance e aventura estão ligados. É uma história magnífica de um garoto que ao longo de sua adolescência teve que se manter vivo de qualquer maneira e que se autonomeia como o último judeu, porque, mesmo existindo inúmeros cristãos-novos que eram judeus, ele era o único que nunca tinha se batizado.
Além de ser uma história muito bem trabalhada e escrita, é uma nova forma de conhecimento, pois através de romances históricos podemos aprender muito sobre o momento que ele retrata.


Parabéns pela resenha.
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