6 de novembro de 2016

Resenha do Filme: Sentidos do Amor

Sentidos do Amor
 Perfect Sense 
(2011)

Gênero
Drama, Ficção Científica, Romance

Duração
1h 32m 

Direção: David Mackenzie
Roteiro: Kim Fupz Aakeson
 
Elenco
Eva Green, Ewan McGregor



Sinopse: Repentinamente e sem qualquer explicação, uma estranha epidemia varre o mundo: um a um, os seres humanos vão perdendo todos os seus sentidos. Em meio ao desnorteamento geral, uma epidemiologista e um chef  se encontram e tentam continuar seguindo com suas vidas, em meio às perdas e incertezas.

  Sentidos do Amor, filme cujo título original é "Perfect Sense" (falarei mais adiante sobre a diferença na tradução), é um romance/drama/ficção científica que explora a possibilidade de algo impensável para o ser humano: a perda de todos os sentidos.


  Ao longo do filme, uma espécie de epidemia invade todo o planeta, sem que os cientistas consigam explicar. Ela consiste na perda sucessiva, por todos os seres humanos, de cada um dos sentidos, começando pelo olfato.

  A perda de cada sentido é precedida por um surto violento de algum tipo de emoção – tristeza, raiva, desespero, entre outras. Após cada perda, a humanidade vai tentando encontrar formas de se adaptar e continuar vivendo da melhor maneira possível.


  As profissões do casal de protagonistas – ela é uma epidemiologista, uma mulher da ciência, e ele é um chef, um homem criativo – ilustram bem os temas centrais do filme: a condição do ser humano que precisa lidar com a perda, com o incerto e com o desconhecido, e a ânsia de inventar alternativas para seguir em frente, mesmo quando ele se depara com as piores e mais desoladoras circunstâncias.

  O título original, "Perfect Sense", poderia ser traduzido como “todo o sentido”, já que a expressão é usada na frase “makes perfect sense”, ou “faz todo o sentido” em português. Claramente, é uma ironia dupla. A perda dos sentidos elimina sua perfeição, e, além disso, ninguém consegue explicar a razão ou a origem da epidemia, nem mesmo a ciência e a medicina. Ou seja, ela não faz nenhum sentido.


  O restaurante onde o personagem de McGregor trabalha, por sua vez, é o palco da tentativa de adaptação e da busca de novos meios para aproveitar ao máximo os sentidos que restam, como uma espécie de compensação. É como a história do cego cuja audição fica mais apurada ou do surdo que consegue enxergar detalhes que passam despercebidos às pessoas comuns.


  Gostei muito deste filme e poderia escrever muito mais, mas, para não prejudicar a experiência de quem se interessar por assistir ele, vou ficar por aqui. Devo apenas prevenir aos potenciais espectadores que se trata de um filme mais reflexivo e contemplativo, repleto de momentos poéticos, em que uma narração em off descreve os acontecimentos, acompanhada de belas imagens. Deixe para assistir em um momento em que estiver com um estado de espírito correspondente. Ele pode ser muito bonito para quem estiver com a sensibilidade – o “sentido” emocional e intelectual – compatível com o que ele oferece.

- Esta é a minha primeira resenha para o Leitores Forever. Obrigado à Aline pelo espaço e um carinhoso olá às novas leitoras e leitores!

* Caso já tenha assistido ao filme e queira ler uma reflexão sobre ele, com spoilers, clique aqui para ser levado ao artigo que escrevi na revista virtual Obvious.
 
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