4 de setembro de 2015

[Narcos] - Pra expandir a Grade de Séries

 Esta é oficialmente a última matéria sobre a Summer (foda) Season 2015, que nos presenteou com séries lindas e incríveis (Sense8 e Proof). E a maratona do Pra expandir a Grade de Séries não poderia ser melhor encerrada com uma ilustríssima chave de ouro do que com Narcos, nova série, fantástica – diga-se de passagem – da Netflix.
  E é sempre a mesma coisa: produção impecável, roteiro marcante e original, fotografia absurdamente incrível e um elenco muito talentoso. Narcos aborda a história do narcotráfico colombiano que margeava a década de 80 e nos apresenta todo um cunho político e socioeconômico do país, e como essa relação impactava diretamente na economia local, nacional e internacional. Portanto, ponto para as referências históricas.

  A série se divide, basicamente, em dois planos. Um interage com o tráfico em si, em especial da cocaína, desde a produção ao comércio propriamente dito e toda a abordagem que envolve o transporte, os meios corruptos usados e os métodos de burlar as legislações. Já o outro plano reforça e expõe a força policial, as vezes igualmente corrupta, em prol do combate ao narcotráfico.
  Nesse contexto, destacamos dois personagens de suma importância na trama: Pablo Escobar, o famoso traficante colombiano, e o policial Murphy, estadunidense engajado na luta contra o dilema das drogas. Porém, engana-se quem acredita que Narcos se limita apenas a uma rixa entre a lei e a corrupção. Narcos detém de uma interação de comportamentos e ideologias políticas fortíssima. Em linhas gerais, temos grupos comunistas guerrilheiros interagindo nas sequências e plots, a organização político-militar regional e nacional, condutas que anseiam pela liberdade e independência econômica-social da Colômbia, o imperialismo americano, a pobreza das mazelas populacionais e muito mais. Novamente, ponto pra Narcos.
  O formato da série lembra ligeiramente um documentário. Com uma narração ampla e muito presente, intertextualidade histórica quase como um momento educativo dos episódios e comentários recorrentes do que é exibido na tela. Existe também um cruzamento entre realidade e ficção, então é fácil notar numa mesma cena imagens reais, do verdadeiro Escobar, e a versão cinematográfica do fato exposto. Ainda temos, em excesso, plots eróticos, dramáticos e por vezes cômicos (quieres comer mi c***?).
  E, obviamente, é impossível deixar passar em branco a atuação fantástica de Wagner Moura (sim, o Capitão Nascimento de Tropa de Elite) e de um elenco situado e com talento de sobra. Os diálogos são bem construídos e as histórias cruzadas são bem conectadas. A direção ficou por conta do José Padilha (Tropa de Elite, também), então você pode e deve esperar muita violência, ação, pancadaria, guerra com armas e referências clássicas do filme (tem saco pra sufocar e quase um “pede pra sair!”). Portanto, fãs do sucesso nacional ainda não estão assistindo por quê?
  É mais do que claro que a Netflix acertou mais uma vez em cheio – ô novidade  e produziu uma das melhores séries do ano. 
  E logicamente, Leitores Forever indica e adverte: Narcos é tão viciante quanto cocaína.

    -Fabinho Rodrigues

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