1 de junho de 2015

Resenha da Série: Fargo

  Vou logo avisando que a série de hoje é fantástica foda. Fargo carrega tanto drama, matança e reflexão que me perturba até hoje.

O clima de inverno está sempre presente na série. Ah, reparem no homem com a arma apontada para o sujeito deitado - dá pra perceber que assassinatos rondam Fargo.
  Bom, eu dei uma pesquisada sobre a série e descobri que, originalmente, Fargo era um filme de 1996, sendo que a crítica diz que é genial, mas não posso dar minha opinião porque não assisti; no entanto, ainda o farei. Pesquisar sobre a série foi mesmo muito bom, pois eu já estava prestes a dar informações equivocadas, como dizer que a história é baseada em fatos reais. Isso porque logo no começo de cada episódio há uma introdução falando que os fatos retratados são verídicos e apenas os nomes foram trocados em respeito aos mortos. MORTOS? Sim, há muitos mortos. A questão é que a série não é baseada na realidade, essa foi apenas mais uma forma de impactar o telespectador desavisado.
  Ué, mas e sobre o quê exatamente é essa serie? (Vou falar bastante sobre o enredo, pois poucos devem conhecê-lo e sou eu que mando aqui).
  Imagine um sujeito que sofreu bullying a vida toda e que é subestimado ao extremo. Esse é Lester Nygaard, brilhantemente interpretado por Martin Freeman – sim, ele é o John Watson da série Sherlock e foi por causa dele que conheci Fargo. Lá está ele, na casa dos quarenta anos, caminhando na rua até que encontra um velho amigo, ou melhor, o cara que batia nele quando jovem. Mais uma vez Lester é humilhado e leva um soco na cara. E o que ele faz? NADA. Mas quando vai ao hospital tratar do ferimento, um outro cara, que descobrimos se chamar Lorne Malvo, puxa papo com ele. De repente a conversa pega o rumo da causa do nariz machucado e Lester confessa que apanhou daquele Sam Hess, seu algoz. Malvo então se oferece para dar cabo da vida de Hess. Lester, um tanto bobo, fica de cara com a sugestão e não diz nem sim nem não. E sabem o que acontece? Sam é morto (enquanto está transando com uma prostituta, só para constar).

Martin Freeman mostra seu talento interpretando o imbecil psicopata Lester Nygaard. Mas confessem, ele está super fofo com esse casaco!
  Lester fica um tanto perturbado com o ocorrido. Acredito que ele não queria que aquilo realmente acontecesse, só achou que Malvo estivesse brincando quando sugeriu aquilo. Contudo, um novo fato acrescenta mais violência à vida dele.
  Enquanto discutia com sua mulher, que o criticava por ser tão idiota, ele comete uma besteira: mata a mulher a marteladas! Daquela vez eu ainda dei um desconto ao imbecil porque ele estava sob pressão e acredito que só fez aquilo no calor do momento, sem a real intenção de cometer o assassinato. Desesperado, liga para esse Lorne Malvo pedindo ajuda para se livrar do corpo no porão. Enquanto isso, um policial prestes a ser pai, diga-se de passagem – se dirige à casa dos Nygaard para interrogar Lester sobre a morte daquele primeiro cara, Sam Hess. Ao chegar lá, Lester está todo esquisito e perturbado, se atrapalhando todo. Isso causa desconfiança no policial, que acaba encontrando o corpo da esposa morta de Lester. Temos então a entrada triunfal do matador Lorne Malvo. Coitadinho do policial, nem chegou a conhecer seu bebê... Como mais policiais estão a caminho, Malvo foge e Lester se atira contra a parede do porão para fazer de conta de que é só mais uma vítima. Eita, você está ficando espertinho, hein, Lester.
  Leve em consideração que esse é o enredo só do primeiro episódio, que já foi tremendamente espetacular, contando com atuações impecáveis, fotografia, direção e tudo mais sem deixar a desejar em nada. Ah, e o roteiro! Que oportunidade maravilhosa de admirar um roteiro bem feito e criativo, que reúne sarcasmo e parábolas com maestria. Bom demais!
  A partir daí a série destaca outros personagens incríveis, como a policial Molly e o também policial Gus. Eles formam um casal comum muito simpático para o público. Molly se dedica a estudar o assassinato na casa dos Nygaard, chegando a conclusões que poderiam incriminar Lester, ao passo que o resto dos policiais o considera inocente e não dá crédito às ideias conspiratórias de Molly. Com o decorrer dos episódios e mais mortes, agora em outros cenários frequentados pelo demônio do Lorne Malvo, eu já estava rezando para os dois não morrerem de tanto que gostei deles.

Molly, Gus e sua filha
  Por onde passava, Malvo trazia morte, mas é inegável que ele tem estilo. Isso foi ainda mais intensificado pela forma como a direção conduzia as cenas, destacando detalhes e focando na observação indireta dos acontecimentos – como é o caso de um massacre no oitavo episódio, que é todo gravado através da movimentação das câmeras por fora do prédio. Essa emoção à flor da pele me lembrou a trilogia O Poderoso Chefão.

O ator Billy Bob Thonton estava fantástico como o cruel assassino Lorne Malvo
  Já falei muito, mas gostaria de frisar o motivo para tamanha perturbação que senti. Inicialmente, considerei Lester um simples imbecil que estava no lugar errado, na hora errada e com a companhia errada. Acho que ele não queria ser o monstro calculista em que se tornou no final da série; apenas pequenas decisões erradas o levaram a sustentar sua mentira. Foi tudo uma bola de neve, à semelhança do cenário congelado da cidade. E aí eu me pergunto: será que nós mesmos não corremos o risco de fazer uma besteira inconsequente? Será que não precisamos tomar mais cuidado com nossos atos e com a forma que lidamos com a pressão do cotidiano? Elementar, meu caro Watson. Precisamos estar sempre alertas para não nos tornarmos um Lester da vida. E é perturbador pensar nisso, pelo menos para mim.
  O que acharam da resenha? Foi bem longa, não? Mas eu precisava falar... Ah, não deixe de me contar o que você achou de todo esse drama e sangue.

#ahbemsério, por SHE

2 comentários:

  1. Ah eu assisti Fargo mês passado, apaixonei no primeiro episódio *-* mas não conhecia ninguém que gostava também.
    Adorei a resenha <3 <3 e não se importe com o tamanho não... quanto maior mais detalhado é!

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    Respostas
    1. Muito obrigada! Também conheço poucas pessoas que gostam da série. É uma pena, já que ela está tão boa! Obrigada pelo comentário!

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