23 de dezembro de 2014

Conto: A vida breve das aparências (Parte II)

  De volta ao colégio, o garoto mal esperava para rever a nova ficante – sua primeira e única ficante. Ele já estava acomodado em sua carteira, e a professora iniciava sua palestra quando Fabinha entrou, sem os óculos. Sentou-se do outro lado da sala e não olhou em sua direção. Ao fim da primeira aula, dirigiu-se, com duas amigas, a um banco que havia do lado de fora, como sempre fazia. Plínio a seguiu.

  – Oi – sorrindo, o garoto tentava disfarçar o nervosismo.

  – Oi – Fabinha respondeu, com um olhar frio, gelado, quase cruel.



   Plínio desconcertou-se. As outras duas pareciam não entender por que motivo aquele nerd falava com a amiga, e não disfarçavam isso nem um pouco. Plínio, acuado por três rostos que beiravam a hostilidade, subitamente teve sede e saiu rumo ao bebedouro.
 
  No recreio, Plínio descia uma escada sozinho, dirigindo-se ao pátio, quando Fabinha o segurou.

  – Você contou pra alguém?

  – Ainda não.

  – Ah, que bom. Não conta não, tá?

  Plínio ingenuamente perguntou:

  – Por quê?

  – Ah, porque... porque eu acho que é uma coisa só nossa.

  Antes que o garoto pudesse dizer mais alguma coisa, Fabinha desapareceu.

Por: Edu Café

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