24 de outubro de 2014

Um comentário sobre o poema Ismália, de Alphonsus de Guimarães


  Ismália inclui-se entre os poucos que gosto, na verdade. Pois é, eu costumo me irritar muito com poemas. Provavelmente isso acontece comigo porque nunca tive muito talento para interpretar poemas nas atividades da escola. Eu simplesmente tenho uma teoria de que o poema é algo tão subjetivo que só o autor pode saber o que realmente quis dizer com ele. Enfim, acho cruel obrigar os estudantes a criarem uma suposição sobre qual seria a intenção do poeta com aqueles versos. Admito que isto seja um pouco de preconceito meu, mas ninguém conseguiu mudar até hoje minha opinião sobre isso.


  Voltando ao poema Ismália, ele foi produzido durante o período literário Simbolismo. As características do Simbolismo remetem à temas místicos, imaginários e subjetivos; há musicalidade e se ignoram questões sociais, ao contrário do que ocorria no Realismo e Naturalismo; também descarta-se a lógica e razão em privilégio da intuição. 
  Vamos ao poema, então:

Ismália


Quando Ismália enlouqueceu,

Pôs-se na torre a sonhar...

Viu uma lua no céu,

Viu outra lua no mar.


No sonho em que se perdeu,

Banhou-se toda em luar...

Queria subir ao céu,

Queria descer ao mar...


E no desvario seu,

Na torre pôs-se a cantar...

Estava perto do céu,

Estava perto do mar...


E como um anjo pendeu

As asas para voar...

Queria a lua do céu,

Queria a lua do mar...


As asas que Deus lhe deu

Ruflaram de par em par...

Sua alma subiu ao céu,

Seu corpo desceu ao mar...


(Alphonsus de Guimarães)



  Há também um vídeo no Youtube onde ele é representado.

 Como já falei acima, sou terrível com interpretação de poemas. No entanto, a compreensão deste aí é mais óbvia: trata-se de uma jovem que cometeu o suicídio (espero que seja isso, pelo menos). Visto assim, pode parecer um tanto monótono e nada de tão especial, mas a linguagem usada por Alphonsus de Guimarães é muito bonita e suave, tendo seu mérito.
  Também pesquisei por uma crítica mais séria sobre o poema:

O poema expressa a dualidade entre corpo e alma. Aqui está revelada a imagem de todo homem preso ao desejo de unir matéria e espírito, mas frustrado pela consciência da distância intransponível que o separa de seu objetivo.

  Como moral da história toda, considero o fato de eu ter encontrado num poema que gosto uma prova de que, às vezes, as coisas que tanto criticamos não são tão ruins assim. Tudo depende do ponto de vista.

#ahbemsério, por SHE

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