5 de setembro de 2014

Leituras rápidas... será que valem a pena?



  Há algumas semanas vi em um blog uma meta de leitura de 1822 páginas em um mês. Desde então, passei a refletir sobre essa “ânsia” por leituras rápidas. Não que eu as condene totalmente [afinal, alguns livros são de leitura fácil e dinâmica mesmo], ou ainda, que eu jamais tenha lido um livro em pouco tempo.
  O que questiono é: será que vale a pena ler em “quantidade” em detrimento de “qualidade”? Mas isso também não quer dizer que estou taxando determinados livros como de qualidade inferior. Apenas acredito que a leitura pede reflexão e um tempo para absorver as informações descritas, para que, assim, possa-se compreender a mensagem que há por trás da história.



  Escrevo isso enquanto estou comendo um trufa e, nessa ação, encontro uma analogia satisfatória para o que quero dizer. Quando como, gosto de fazer isso devagar, com o intuito de desfrutar o máximo sabor do alimento. Por exemplo, ao comer Doritos, pego um nacho por vez, e não simplesmente “coloco tudo na boca”. Dessa forma, se ler é como comer, então a leitura lenta, profunda, permite que essa seja uma experiência muito mais agradável do que se simplesmente “jogasse todas aquelas palavras no cérebro”, sem desfrutar daquilo que o autor escondeu nas entrelinhas, através do seu árduo trabalho, escolhendo as expressões que considerou mais adequadas para transmitir o que desejava.
  Ao me referir a uma expressão escondida nas entrelinhas, logo me veio à lembrança o livro Incidente em Antares, do Érico Veríssimo. Esse livro é cheio de expressões subentendidas, aliás. Em especial, me lembro de quando um argentino se refere a um homem, membro da família dos Vacarianos, como Bacariano. Recentemente, tive aulas de espanhol na escola e aprendi que, nesse idioma, o som do V se confunde com B. Assim, um argentino falaria Bacariano e não Vacariano. Este tipo de trocadilho representa um dos casos do que quero dizer quando me refiro a expressões subentendidas. É como se, ao lermos algo atentamente, relacionando isso com nossa bagagem cultural, a leitura se tornasse mais interessante e desafiadora. Não é apenas ler, trata-se de relacionar e compreender!
  Enfim, considero o ato de ler uma arte e, no meu caso, essa arte consome tempo e exige paciência. Portanto, eu declaro, mais uma vez, que opto por qualidade ao invés de quantidade. Opiniões divergentes existem, sem dúvida, mas a liberdade de expressão existe tanto para mim quanto para você, caro leitor. Assim, sinta-se a vontade para manifestar o que pensa.

#ahbemsério, por SHE

Um comentário:

  1. Vale muito a pena! Qualidade acima da quantidade sempre! (:
    Beijo!

    http://evolucaoliteraria.blogspot.com.br/2014/08/resenha-maldicao-do-tigre.html

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