15 de agosto de 2014

As recentes mortes sob o olhar de Clarice Lispector em “A Hora da Estrela”

  No livro “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, conta-se a história de Macabéa, uma nordestina feia e ignorante que veio para o Rio de Janeiro. Durante toda a sua vida, Macabéa foi ignorada e humilhada pelas pessoas ao seu redor, inclusive por sua amiga Glória e o namorado Olímpico, que a consideravam um ser inferior. Porém, no momento em que Macabéa é atropelada, ela, finalmente, recebe atenção das pessoas. E é exatamente esta situação de morte que Clarice Lispector considera como a “hora da estrela” do homem.
Assim como ninguém lhe ensinaria um dia a morrer: na certa morreria um dia como se antes tivesse estudado de cor a representação do papel de estrela. Pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema, é o instante de glória de cada um e é quando como no canto coral se ouvem agudos sibilantes.

  Trago essa reflexão aqui porque, recentemente, nos deparamos com a morte de algumas pessoas importantes. Falo de Ariano Suassuna, que escreveu O Alto da Compadecida; Robin Williams, que atuou em filmes como A Sociedade dos Poetas Mortos e O Homem Bicentenário; e também o candidato a presidente Eduardo Campos. A notícia de suas mortes tem tido enorme destaque na mídia, causando a comoção da sociedade.
  Sob tal ponto de vista, também cheguei à conclusão de que é justamente na hora da morte que a vida alcança seu apogeu. É aí que a sociedade presta atenção nas pessoas. Por exemplo, é dado grande destaque ao genocídio dos Judeus durante a Segunda Guerra Mundial, sendo este o motivo que nos fez conhecer a história deles. Outro caso é a morte de militantes contrários à ditadura militar, que foram torturados e assassinados em prol de suas convicções. Assim, é só por isso que conhecemos nomes como Vladimir Herzog.
  No entanto, A Hora da Estrela também nos questiona sobre a vida. Será que nossa morte causaria diferença no mundo? Ou será que apenas estamos aqui ocupando espaço e contribuindo para a degradação do planeta? São inúmeras as reflexões sobre o sentido da vida, mas como encontrar uma resposta unânime a essas perguntas é uma tarefa difícil demais, quiçá impossível, contentemo-nos em viver. 

Macabéa "vivendo"

#ahbemsério, por SHE

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