26 de julho de 2014

Preconceito contra livros nacionais

 O complexo de vira-lata 

Já que estamos falando bastante sobre o preconceito literário aqui no Blog, resolvi falar sobre o preconceito contra livros nacionais, que é algo que também percebo muito, principalmente entre os jovens. Então vamos lá.





  O brasileiro não é lá um povo muito patriota, exceto quando se fala em Copa do Mundo. É o famoso complexo de vira-lata, formulado por Nelson Rodrigues. Segundo ele, o brasileiro se coloca em um estado de inferioridade em relação ao resto do mundo. E essa sensação de inferioridade que muitos têm se estende para o campo literário.
  Dessa forma, são constantes as críticas negativas aos livros nacionais. Creio eu que isso se deve ao fato de que, na escola, os jovens são obrigados a lerem livros antigos, e que não se enquadram, em geral, à realidade deles. Além disso, o vocabulário em desuso na atualidade contribui para tornar o livro de difícil compreensão, promovendo a desistência da leitura. Assim, quando crescem, esses jovens continuam com um certo preconceito contra os autores nacionais clássicos, em geral.
  Particularmente, acho que esse preconceito se generaliza demais, pois a forma como se escrevia antigamente já não é a mesma de hoje. Por exemplo, com as mudanças do século XX e a ascensão do modernismo, a literatura inovou-se e os livros tornaram-se mais interessantes ao público jovem. Logo, se essa conotação negativa fosse desvinculada da literatura nacional, os jovens iriam ler com mais gosto o que é escrito em nosso país.
  E se alguém mesmo assim não gosta dos livros brasileiros, é preciso se destacar que nem sempre os livros estrangeiros são bons também. Tudo depende do gosto do leitor. Assim, se você leu um livro brasileiro que achou chato, isso não implica que todos os outros também lhe despertarão a mesma opinião.
  Para finalizar, gostaria de compartilhar com vocês alguns livros nacionais que realmente gostei:
  • Incidente em Antares, de Érico Veríssimo 
  • Vidas Secas, de Graciliano Ramos
  • Inocência, de Visconde de Taunay (indicado pela Aline)
  • O Tronco do Ipe, de José de Alencar (indicado pela Jackelline)
  • Dom Casmurro, de Machado de Assis (indicado pela Biia) 
  • Bisa Bia, Bisa Bel, de Ana Maria Machado (também indicado pela Biia)
  • Papéis Avulsos, de Machado de Assis (indicado pela Natália)   
  Caso tenham sugestões de livros nacionais interessantes, sintam-se livres para comentar.

  PS: Fiz esse post pensando em uma amiga, que há um tempo me disse que odiava livros e filmes brasileiros :(

  Outra coisa que gostaria de deixar claro é que não tenho nada contra os clássicos brasileiros, inclusive,  estou lendo vários para prestar o vestibular. A finalidade desse post é simplesmente falar - de igual para igual - com o público jovem, que não se identifica muito com a literatura nacional e, assim, influenciá-lo a conhecer os livros brasileiros.

#ahbemsério, por SHE

5 comentários:

  1. Ainda temos muito pré-conceito literário em ralação aos nossos autores. Vale a pena lembrar que a nossa literatura nacional esta mudando de cara, novos autores, novas ideias e propostas.

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  2. Mas isso também vem do Capitalismo. Em se tratando de qualquer produto, é muito mais fácil encontrar o que é importado, do que o que é produzido aqui. Entre numa livraria, e verá a literatura estrangeira em todos os lugares próximos a porta, e a literatura nacional em um canto. Culpa do movimento capitalista sobre o mercado editorial, responsável pela ascensão dos livros estrangeiros no Brasil (já que nada vem para cá de fora sozinho), e culpa também da educação Brasileira, que na maioria das vezes nos educa a leitura tornando-a uma muito mais uma obrigação do que um prazer.

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    1. Concordo, no Brasil, tudo que é relacionado com cultura, desde livros, teatro, cinema, ate os pontos turísticos, são voltados para um grupo elitizado. Se voce pode pagar, tudo bem voce tem acesso, senão, se contente com DVDS piratas, praia e pagode de rua.

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  3. O sistema capitalista realmente tem muitos buracos e como as editoras - e a mídia em geral - são dependentes dele, a consequência óbvia é que seja valorizada a cultura norte americana, já que os EUA é o grande representante do capitalismo. Assim, cada vez mais o mundo se americaniza.

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  4. Então pessoal, para gostar de ler nacionais, sejam classicos ou não, indico dois:

    Menino no Espelho, de Fernando Sabino (mais clássico, eu acho) e Filhos do Éden de Eduardo Sporh (totalmente nova geração). É isso. :p

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Dê sua opinião sobre o assunto discutido acima :D

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