31 de julho de 2014

Conto: Carta de um filho


  Bom aqui estou neste lugar frio e escuro por causa da minha vingança
besta. Um cara novo, porém infeliz pelas besteiras que fiz.

  Querida Melina ou mãe, te deixo essa carta para que nunca se esqueça
de mim. Sei lá, é meio estranho falar isso já que você me abandonou, mas enfim
escrevo essa carta para que saiba o que eu senti todo esse tempo...

  Eu cresci já te odiando por ter me abandonado, com o pensamento fixado
em matar mulheres que abortavam ou rejeitaram os filhos. Minha infância foi
sem amigos, ninguém falava comigo, eu também não me importava muito, gostava
de ficar sozinho.

  Quando estava com mais ou menos 17, 18 anos conheci as drogas e
comecei a matar as mães. Minha cidade era pouco movimentada na época, o
único hospital da cidade apenas poucas pessoas frequentavam, geralmente
grávidas ou pessoas que estavam à beira da morte, era o lugar perfeito para
matar minhas vítimas, pelo menos era o que eu achava.

  Lembro-me da minha primeira vítima, Elly Judy W. Hanbach, minha vizinha,
ou melhor, minha ex-vizinha. Era muito bonita, tinha olhos azuis, cabelo
castanho-claro, a cor da sua pele era adequada para suas características físicas,
mais ou menos 1,70 de altura, com um corpo bem estruturado, resumindo,
tinha uma beleza admirável, mas queria abortar o filho porque o namorado a
tinha deixado e era muito nova para cuidar de uma criança sozinha.

  Cara, na boa, por que ela não pensou antes de fazer a cagada? Por que
matar uma criança por irresponsabilidade? E desde quando 21 anos é nova de
mais? Tá, na verdade é muito nova para ser mãe, mas também não é tanto
para chegar ao ponto de acabar com uma vida. Enfim era nisso que eu pensava.

  O ruim de hospitais é que eles são muito iluminados e difíceis de se esconder,
porém aquele era diferente, tinha seu lado sombrio, as luzes viviam
apagando e acendendo; ouviam-se alguns gemidos e gritos em quartos que
estavam vazios, algumas pessoas que entraram em óbito naquele lugar acordavam
misteriosamente com umas manias estranhas, pessoas que iam para
visita acabavam não voltando mais e alguns boatos diziam que ele foi construído
em cima de um antigo cemitério, mas não estou escrevendo essa carta para
descrever o hospital da cidade, então continuando...

  ...Era muito fácil subornar a segurança, entrava falando que iria visitar
minha vítima e para ela dizia que era enfermeiro. Como estudava a pessoa, era
fácil saber em que andar estava, o corredor e o número do quarto. Elly estava
no penúltimo andar, no quarto 201. Dei uma anestesia e a sufoquei com uma
luva cirúrgica. Para sair do quarto pinguei umas três gotas de colírio em cada
olho e saí gritando “Seus irresponsáveis!” “Como vocês podem fazer isso?”
“Ela está morta!”. Acabei saindo ileso e muito satisfeito.

  Depois de anos fazendo isso usando máscaras de silicone e mudando
alguns fatos para que não suspeitassem, fui acusado de 50 assassinatos. Durante
esses cinco meses que fiquei aqui percebi que viver aqui dentro é mais
fácil do que ficar lá fora, ganhamos água apesar de ser gelada, comida e lugar
para dormir sem precisar pagar. Podiam falar o que quisessem, não me arrependia
dos meus atos até você aparecer.

  Quando você chegou naquele presídio e disse que me abandonou porque
a sua família, amigos e vizinhos iriam te criticar, porque eu nasceria com
toxoplasmose, mas não passava de um erro médico e só ficou sabendo que eu
era perfeito quando tinha cinco anos, porém já tinha sido adotado e estava feliz
com a minha nova família, mas você mantinha contato com meus pais adotivos,
por isso sabia que estava preso, a aqueles pedidos de desculpas, sua visita
me abalou, me fez rever meus conceitos.

  Mãe, te perdoo por ter me abandonado e entendo seu pensamento, deixo
bem claro que foi pelas minhas atitudes que estou perto de me enforcar e
não pelas suas.

  Por favor, quero ser cremado e jogado no mar para que ninguém veja os
ossos do menino que envergonhou a família Hanstown. Obrigado por me visitar,
sei que não vamos nos encontrar, pois a senhora não matou mais de 50
pessoas e não cometerá suicídio (me prometa). Quero que tenha uma vida e
uma pós-vida melhor que a minha.

  Beijos e abraços

  De seu filho querido
    Jhonatan H. Scott  


Por: Winny Matozo

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