13 de julho de 2014

A realidade que está por trás dos livros modinha

(Esse post é uma resposta ao texto "A ‘modinha’ de falar mal de ‘modinhas’", da minha parceira e também colaboradora do blog Cris Albert. Lembrando que o objetivo desse post não é criticar ou ofender nem as ideias da Cris e nem as de ninguém, mas apenas apresentar um contraponto, isto é, o outro lado da questão que envolve os livros considerados "Modinha", e porque o termo realmente se aplica.)




  Já parou para pensar porque o McDonald’s oferece tantos tipos de comida diferentes, mas os anunciados são sempre os lanches com aqueles nomes americanizados e os refrigerantes? A essa altura, você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com livros! Continue lendo, meu caro, pois eu já vou chegar lá.
  Como em qualquer indústria, por mais que os anúncios e o Marketing digam que a proposta, isto é, o objetivo é sempre agradar e atender da melhor forma possível as necessidades do cliente, em um país como o nosso, capitalista, onde a possibilidade de lucro fala mais alto que as necessidades reais das pessoas, sabemos o que realmente é importante para os grandes empresários.
  Isso se reflete no McDonald’s, onde os lanches com nomes americanizados (O "Macneggerdu bom Neggers" ou nomes assim), e as vezes os refrigerantes e a batata frita são exaltados nas propagandas, para se tornarem o principal objetivo dos clientes, enquanto os outros pratos tornam-se apenas uma solução para que o restaurante não perca as minorias que não são totalmente atingidas pelas propagandas em volta do produto principal. Qual é o plano: Tornamos o lanche X popular e fazermos com que a grande maioria venha atrás dele. Na sequência, criamos algumas variações, para que o cliente continue se prendendo para sempre a ele e dando dinheiro vezes e vezes seguidas para ter somente mais do mesmo. E oferecemos mais alguma coisa a parte, para aqueles que não são manipulados pela propaganda.
  Agora, pensem nas editoras como o restaurante, e nos livros como os lanches, e vocês vão perceber que as coisas funcionam exatamente da mesma maneira. O plano é exatamente o mesmo. A propaganda tornará popular entre adolescentes (o público alvo mais fácil de induzir, nesse sentido, por sua maturidade ainda estar em desenvolvimento) um determinado livro ou tipo de livro, e em seguida, irá começar a oferecer algumas variações do mesmo, para que essa clientela continue consumindo sempre e sempre o mesmo produto seguidas vezes. Assim, esse produto (no caso, o tipo de livro) torna-se reprodutor de lucro a longo prazo.
  Assim, livros como "A Culpa é das Estrelas", "Crepúsculo", "Divergente" nada mais são do que o "McNeggerdu bom Neggers" da alma, e raramente oferecem de fato uma leitura que realmente vale a pena.
  Não dá para negar que esses livros são responsáveis por fazerem muitos jovens se interessarem pela leitura, o que é de fato louvável, mas convenhamos: Quantos clientes fiéis do McDonald’s nós conhecemos que é vegetariano, ou afirma gostar muito de alface? Ou evita frituras e refrigerantes?
  Em tempo, não sou leitor de modinhas (apesar de ler muito o que os críticos literários dizem sobre elas), então não creio tão piamente quanto parece na impossibilidade de haver livros modinhas de qualidade. Acho totalmente possível, e aguardo ansiosamente até que um desses chegue as minhas mãos. Entretanto, não podemos negar a ação do capitalismo sobre o fenômeno (no sentido científico e neutro) que são as "modinhas".
  Assim, o termo "modinha" se aplica e é totalmente válido, porque a propaganda induz as pessoas que a veem/ouvem para que haja uma grande popularidade em torno delas, e portanto, há reprodução dessa popularidade (adolescentes são propensos a comprar o que todo mundo compra e fazer o que todo mundo faz), que mais tarde retornará como lucro e reprodução do lucro, contribuindo com o bom e velho capitalismo, sem precisar ser necessariamente o produto de qualidade que os compradores pensam ser.
  Isso sem falar que a "modinha" atenta contra a possibilidade de diversidade literária, fazendo com que escritores com ideias que diferem do produto principal (a "modinha") não tenham grandes chances de ter uma margem de lucro, mesmo que seus livros sejam realmente bons. Um grande exemplo disso é "Ao Som do Ragtime", best-seller na Europa, mas que não deu certo por aqui, mesmo sendo um livro aclamado pela crítica, e, em minha opinião, um romance primoroso.
  Para encerrar, aqui vai o grande exemplo: Cinquenta Tons de Cinza foi um grande sucesso de vendas mundial entre adolescentes e jovens mulheres, ao trazer (o que a propaganda dizia ser) a história de um grande amor que ultrapassou barreiras para se estabelecer. O que tínhamos de verdade era um livro que, além de trazer cenas de sexo (e não ser classificado como +18, como outros livros do tipo, porque o público que compraria em maior quantidade não era esse, obviamente!), trazia o amor verdadeiro como sendo uma relação de submissão e subserviência feminina ao homem, e portanto, exaltando ideais muito mais machistas do que realistas. Ou é mentira que no livro Anastacia assinou um termo de compromisso com Christian Grey, que incluía submissão e subserviência?
  Concorda? Discorda? Aguardo nos comentários a opinião de vocês!
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Maciel T. é um futuro professor (está cursando Pedagogia na Unesp em seu terceiro ano), e é autor do livro “Rewrite – A história de Kenny e Bee” (para ver a resenha, clique aqui), dono do blog “Cinco Listas”, colunista ocasional do “LeitoresForever” e do “Literatura – Um mundo para Poucos”. Gosta de Chicletes, Tigres e Comida! Menos azeitonas! Azeitonas o irritam e ele nem sabe direito o porquê! rsrsrs

6 comentários:

  1. Concordo com você que os livros precisam atender as "expectativas do mercado", afinal os escritores e editoras também querem fazer fortuna. Ótimo texto e analogia com o McDonald's.
    No meu texto não fiz uma análise tão profunda sobre as "modinhas", apenas quis deixar claro minha revolta contra alguns comentários grosseiros em redes sociais.

    Abraços, Cris

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    1. A ideia do meu texto era deixar um contraponto sobre a questão dos livros "modinhas" e o que desperta os comentários grosseiros, que muitas vezes, diga-se de passagem, vem de ambas as partes!
      Obrigado pelo comentário! :-D

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  2. Você tem razão. Infelizmente, em nosso país, são as artes "de segunda" que mais têm valor a uma catastroficamente grande parcela da população. Vemos isso todos os dias, seja na literatura de "modinhas", seja nas "músicas" que ferem nossos ouvidos e espíritos, e que, frequentemente, somos obrigados a ouvir em alto e bom som nos carros que passam, em casas que desrespeitam comunidades. Dói o coração saber que eles nunca lerão um "Amor nos Tempos do Cólera", um "Morro dos Ventos Uivantes", ou mesmo um Gonçalves Dias ou Jorge Amado, este, que apesar de escrever sobre sexo, o fazia com poesia e maestria, de um jeito sutil. O que nos encanta, não encantaria a maioria. Então, como escrever com a alma, criar algo que seja sublime, se não será lido? Creio que nossa esperança seja a melhoria da educação, apenas ela nos tirará do fundo do poço e somente ela terá condições de tornar as gerações futuras em seres capazes de ler, interpretar o que lê e saber escolher o que transformará um livro, numa emoção para toda a vida. Abraços pra vc.

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    1. (h)

      Gostei muito da sua colocação. Achei perfeita. No entanto, é preciso tomar cuidado para não cair no erro da generalização. É perfeitamente possível que já exista ou venha a existir livros que são modinha, mas são realmente bons. Por exemplo, Crepúsculo tornou Morro dos Ventos Uivantes também uma modinha quando este se tornou o livro favorito de Bella e Edward. Mas Morro dos Ventos Uivantes não passou a ser um livro ruim por conta disso.
      Temos uma maioria realmente ruim entre os livros modinha, entretanto, a esperança sempre existe.

      Abraços!

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  3. Concordo com quase tudo colocado no texto. Ultimamente a maior preocupação do ser humano é quanto ele pode ganhar e não quanto ele pode ajudar. Adorei o texto!!

    O primeiro livro parece interessante, confesso a capa é linda! Super ousada\abuasadamentesexy kkk ~~ zoas

    http://estantesuja.blogspot.com.br/ Beijos seguindo o blog ^^ Espero que retribua, se não só da uma passadinha lá, BIG BIG ABRAÇUSABUSADOS - GRETCHEN <3

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    1. kkkkkkkkkkk Ok!
      Muito obrigado pelo comentário, Carlos!
      E sim, estou seguindo sim!

      Abraços de toda a equipe! :-D

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