26 de maio de 2014

Conto: Sobre A Morte


  A morte não é um assunto complicado. É simples: se foi. Aceite. Será? Será que, quando perdemos alguém, é algo assim tão fácil? Alguns dirão que depende do seu grau de afinidade com o morto, outros dizem que é uma coisa que um dia vai ser superada. Mas a morte, ora, a morte é a juíza mais injusta do mundo. Morre o velhinho que mora na rua de trás… que pena! Morre um policial salvando a vida de uma criança: mas que coisa injusta! E as pessoas rancorosas, aquelas que não ajudam ninguém, que vivem do silêncio, que nunca dirigiram uma boa palavra à uma alma necessitada… essas vão tarde. Depois que o velhinho. Décadas depois do bom policial. E o que essas pessoas, vazias de coração, fazem até lá? Esperam. Por dias, meses, anos. Esperam. Sem nenhum consolo, sem nenhuma explicação. Simples: esperam. E quando chega a hora, nem percebem. Estão tão tomados pelo seu desejo de partir, que não percebem que, na verdade, estão vivendo a morte. E que a morte, na verdade, é a coisa mais viva pelo qual irão passar. E na hora de ir, imploram em seus fracos joelhos enrijecidos. Imploram para alguém que não conhecem, imploram algo que não sabem o que é. Esses pobres seres sentem a liberdade esvaindo, sentem tudo que foi perdido, sentem que não fizeram o que deveriam ter feito. Ou pior: não fizeram o que queriam fazer. E lembram-se que no seu velório terão pessoas chorando pela sua morte, e o seu último pensamento é que deveriam chorar pela sua vida.


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